O Partido Comunista Português na Madeira
Depois da Revolução Democrática de 25 de Abril
de 1974, surgiram na Madeira, por vezes com alguma complexidade e
grande especificidade, numerosos partidos e organizações políticas.
Começamos por estudar com alguma minúcia o Partido Comunista
Português madeirense, por ter sido a única força politica que
heroicamente resistiu e se manteve organizada, em circunstâncias
difíceis e quase impraticáveis, durante os quase cinquenta anos da
ditadura fascista, ora com grande pujança como sucedeu até 1948, ora
com muitas debilidades como aconteceria depois daquela data, em que
foram presos a quase totalidade dos seus principais quadros e
dirigentes madeirenses.
O Partido Comunista Português foi fundado em 6 de Março de 1921,
numa Assembleia realizada em Lisboa na sede da Associação dos
Empregados de Escritório, que elegeu a sua primeira direcção; depois
de no inicio desse ano ter sido constituída uma Comissão
Organizadora, e de em 27 de Janeiro o jornal A Batalha, ter
publicado o Projecto de Bases Orgânicas, para discussão.
Pouco tempo depois, o PCP implantou-se na Madeira, onde dirigiu e
participou em muitas lutas e iniciativas sindicais, camponesas e
populares, e deu grande contributo para engrossar o movimento
operário e camponês, inicialmente muito influenciado pelos
anarco-sindicalistas.
Os seus primeiros quadros evidenciaram-se nos movimentos grevistas e
nas grandes lutas operárias que antecederam a «Revolução Democrática
da Madeira de 1931», e participaram, activamente, nesse período
revolucionário, aliados com todos os progressistas que pretendiam
que a democracia fosse restaurada na Madeira, e em Portugal.
Deste modo, em 21 de Abril de 1931, os militantes do PCP e doutras
forças de esquerda, nomeadamente anarquistas, subscreveram um
manifesto da «União dos Sindicatos Operários do Funchal (USOF)»
apelando às forças armadas, à população civil, e aos operários e
camponeses, para a continuação da luta pela Democracia, contra o
regime fascista.
No final de 1932, foi eleito o primeiro Comité Regional do Partido
Comunista na ilha, constituído na sua maioria por operários, alguns
intelectuais e certos militantes provenientes da classe média.
Foi escolhido para o secretário-geral e 1º responsável o militante
Antenor Cruz – grande animador da fundação do Partido na Madeira,
depois de ter regressado poucos anos antes de Paris, onde fora
funcionário da sucursal do Banco Nacional Ultramarino.
Para membro do secretariado e 2º responsável foi eleito o brilhante
caricaturista João Ivo Ferreira, tendo também sido eleitos como
elementos da direcção do partido João Inês Mendonça, Luís Maria de
Nóbrega, e Manuel Maria Gonçalves.
Neste período da constituição do primeiro Comité de Direcção
Regional, notabilizaram-se na luta pela conquista das Liberdades e
do Socialismo os seguintes militantes:
Antenor Cruz – Pequeno comerciante de banana.
João Ivo Ferreira – Empregado de comércio e caricaturista.
João Inês Mendonça – Pedreiro.
Luís Maria de Nóbrega – Sapateiro.
Manuel Maria Gonçalves – Carpinteiro; todos eles membros da Direcção
Regional do PCP..
Adelino Costa – Pequeno Comerciante.
Agostinho da Silva Fineza – Tipógrafo.
António Maria Gonçalves – Carpinteiro.
António Gouveia – Professor.
António Rodrigues – Sapateiro.
Carlos Agapito Camacho – Funcionário Bancário.
Gouveia Menezes – Advogado.
João Amaral – Tanoeiro.
João Gomes Garanito – Pedreiro.
João Moniz Mendonça – Pedreiro.
Manuel Andrade – Tipógrafo.
Ulrich de Abreu – Empregado de Comércio.
Nestes primeiros anos de actividade partidária na Região, os
militantes comunistas madeirenses reuniam-se, clandestinamente, onde
as dificeis circunstâncias permitiam. Todavia juntavam-se mais
frequentemente no café Cavalariça que se situava na Rua Direita do
Funchal, e também na sapataria do militante António Rodrigues,
localizada na Rua da Conceição dessa cidade.
Contactavam com o Comité Central do Partido Comunista Português no
Continente, através dum militante que era maquinista do navio
Funchalense; sendo normalmente Adelino Costa quem estava encarregado
de cumprir a importante tarefa de ligação com esse activista.
Além de dirigir as lutas operárias e participar na vida sindical,
uma das principais actividades no princípio da década de 1930 foi em
volta do «Socorro Vermelho Internacional», intensificadas a partir
de 1936, no decurso da guerra civil de Espanha, com a recolha de
fundos, roupas e medicamentos, para os presos políticos portugueses,
e também para os republicanos espanhóis.
Em 1931, os militantes do PCP/Madeira foram muito activos nas lutas
que antecederam a «Revolução Democrática da Madeira», de que foram
incondicionais adeptos e colaboradores.
Em 1936, os seus dirigentes e activistas foram também importantes
apoiantes e militantes do levantamento popular camponês, que ficou
conhecido na memória dos madeirenses pelo nome de «Revolta do
Leite».
Outra importante tarefa dos activistas do partido era a distribuição
aos trabalhadores, aos progressistas, e ao povo em geral do jornal
«Avante» – órgão do PCP elaborado no Continente; tendo sido os
principais responsáveis dessa difícil tarefa partidária o
carpinteiro António Maria Gonçalves e o tanoeiro João Amaral.
Nas suas reuniões, os militantes do PCP – Madeira discutiam a
situação política nacional, internacional, e regional, os problemas
dos trabalhadores e dos camponeses, muito especialmente dos
caseiros; e decidiam a agitação, a propaganda, as propostas
sindicais, e demais acções de massa a realizar.
Álbuns militantes do partido colaboravam nos jornais do movimento
sindical «Trabalho e União» e «A Batalha», nomeadamente o
metalúrgico Henrique Pereira, que publicou diversos artigos no
último desses semanários, dos quais salientamos um trabalho sobre a
importância da Educação e da Instrução, que considerava fundamental
na formação dos trabalhadores.
Na vida particular os militantes do PCP estudavam e liam a
literatura marxista, preocupavam-se com os problemas dos movimentos
sindical, camponês e operário; e mantinham-se informados acerca de
tudo o que se passava no mundo, principalmente as conquistas dos
bolcheviques na URSS.
Nos longos anos do fascismo, como muitos dos livros e revistas que
os interessavam fossem proibidos, adquiriam esses exemplares
clandestinamente, e tinham que os acautelar e esconder, quase sempre
nos «forros» das suas casas.
Em 1934/35, foram presos e duramente torturados pela PIDE o
secretário-geral e alguns membros da direcção do «Partido Comunista
Português» da Madeira, em consequência duma denúncia feita a essa
polícia política pelo guarda Barbeito – bufo corrupto que obteve
informações duma fadista continental que se tinha tornado amante do
jovem guitarrista e militante do PCP João Amaral, e à qual o
activista António Maria Gonçalves fornecia o Avante.
Em consequência das sevícias e atrocidades, o 1º responsável do
partido Antenor Cruz, que mesmo depois de ter sido selvaticamente
martirizado e torturado não denunciou os seus camaradas, acabou por
falecer, estoicamente, com honra e muito heroísmo. Todavia, os
assassinos da polícia política informarem que se tinha suicidado no
hospital.
Alertados do perigo que corriam, os restantes membros do Comité da
Direcção Regional, rapidamente reuniram-se na sapataria do seu
camarada António Rodrigues, e decidiram dissolver a direcção do
partido, esconder e destruir o material comprometedor, avisar todos
os outros militantes e activistas para que redobrassem os cuidados
próprios da clandestinidade, encarregando ainda o 2º responsável
João Ivo Ferreira, de partir, imediatamente, para Lisboa, com a
finalidade de analisar e dissecar a grave conjuntura com o Comité
Central do Partido Comunista Português.
Depois de estudarem e ponderarem a situação vivida na Madeira, os
membros do «Secretariado do Comité Central do PCP», que também
estava implementando uma reestruturação partidária dirigida pelo
secretário-geral Bento Gonçalves, decidiram encarregar o próprio Ivo
Ferreira de reorganizar as células do partido no arquipélago, e
refazer, o Comité Regional, sobre a sua direcção.
No decurso desses penosos acontecimentos, por suspeita de delação,
facto que nunca se confirmou inteiramente, o dirigente Manuel Maria
Gonçalves, foi expulso do partido.
Após esse período conturbado, corajosamente, o PCP-Madeira voltou à
luta, novamente à cabeça do movimento operário e camponês, embora a
repressão fosse tremenda, e se tornasse explosiva em 1945, com o
aproximar do fim da IIª Guerra Mundial.
E quando foi anunciado que esse sangrento conflito tinha terminado
com a derrota do nazismo, o PCP-Madeira conseguiu enviar um
telegrama de congratulações a Churchill, solicitando apoios para o
duro combate contra as ditaduras fascistas na Europa.
Nessa época, o «Partido Comunista Português» madeirense, teve ainda
grande actividade unitária, sobretudo quando surgiu o «Movimento de
Unidade Democrática – MUD», de cuja comissão local, escolhida em
1945, fizeram parte os militantes do PCP, Henrique Pereira e Ulrich
Abreu.
Assim, a Comissão do Movimento de Unidade Democrática- MUD na
Madeira, seria composta pelos seguintes activistas:
Dr. Américo Durão – Médico Cirurgião.
Dr. Vasco Marques – Advogado.
Dr. Brito Câmara – Advogado.
Dr. Pestana Júnior – Advogado.
Tenente Ascensão – Militar na Reserva
Henrique Pereira – Metalúrgico e militante do PCP.
Ulrich de Abreu – Empregado do Comércio e também militante do PCP.
Em fins de Maio de 1948, o «Partido Comunista Português da Madeira»
sofreu outro rude golpe, quando após uma denúncia, a PIDE prendeu
todos os seus dirigentes e muitos quadros, em número de setenta,
acabando vinte e três por responder nos Tribunais Especiais do
regime, julgamento que se tornou tristemente célebre, por dele
resultar as primeiras sentenças em que foram aplicadas no nosso País
as famigeradas «medidas de segurança, com efeitos retroactivos».
Esses arrojados militantes madeirenses do «Partido Comunista
Português» sofreram atrocidades, torturas e humilhações de toda a
ordem, sendo que alguns até perderam a vida nessa heróica luta pela
transformação da sociedade.
Assim, além de Antenor Cruz, que antes destes acontecimentos tinha
sido assassinado pela PIDE, embora essa miserável polícia fascista
tenha anunciado que se suicidara; recorda-se o valoroso tipógrafo
Agostinho da Silva Fineza, que após ter cumprido cerca de 8 anos de
prisão nas masmorras do Aljube e de Caxias, foi abatido a tiro pela
criminosa polícia política, numa manifestação do 1º de Maio, que
decorria em Lisboa.
Depois de terem estado detidos e incomunicáveis nos cárceres de
Caxias, os comunistas madeirenses, presos em Maio de 1948, foram
julgados em Julho de 1949, no Tribunal Plenário da Boa Hora, tendo
sido seus advogados de defesa os Drs. Bustorff Silva, Mário
Ferreira, Fernando de Castro, e Nuno Rodrigues dos Santos.
Foram condenados a quatro anos de prisão, seguidos de oito de
degredo João Ivo Ferreira, Carlos Agapito Camacho e Florentino
Gomes.
A três anos de prisão Luís Maria de Nóbrega e Agostinho da Silva
Fineza.
A dois anos de prisão António Maria Gonçalves, Henrique Ricardo
Pereira, António Rodrigues, João Inês de Mendonça e Virgílio
Rodrigues Filipe.
A vinte meses de prisão Adelino Costa, Pedro Severiano dos Reis e
Manuel Amaral Jorge.
Finalmente a dezoito meses de prisão o Dr. João Gouveia de Meneses e
Manuel Mendonça Gouveia.
Conseguiram ser absolvidos Tito Pereira da Conceição, José de
Freitas, João Gomes Granito, João Silvano Figueira, Ulrich da Paixão
Abreu, João da Silva, João Gomes Valente, Abel Correia Fernandes,
Manuel Pestana Andrade, Carlos Martins Pereira, Henrique Pereira «O
Tarzan», Noé Alberto Pestana e o Dr. José Prudêncio Teles.
Antes de terem sido julgados, todos os militantes do «Partido
Comunista Português», foram vítimas de maus-tratos e espancamentos,
nomeadamente nos violentos e desalmados interrogatórios. Alguns
foram até sujeitos à terrível tortura do sono – conhecida por
estátua, nomeadamente o valoroso e heróico Ivo Ferreira, que por ser
o 1º responsável do partido, seria o mais duramente seviciado.
Após a condenação a pesadas penas, os militantes do PCP foram
cumpri-las nas tremendas masmorras de Caxias e Peniche, sofrendo
condições de grande severidade, em que até era quase impossível
comunicaram uns com os outros; apenas conseguindo atenuar a solidão
fabricando, manualmente, objectos do tipo artesanato. A própria
correspondência para as famílias era censurada, e a hipocrisia era
tanta que nem podiam escrever que estavam numa cela, devendo
substituir essa expressão pela palavra «sala»…
Henrique Pereira, que também foi brutalmente espancado nos
criminosos interrogatórios após a sua prisão, contou-nos que apenas
por ter sido surpreendido a criticar o presidente da República
fascista, general Carmona, foi transferido para os cárceres do
Porto, depois de cumprir uma longa punição na fétida célula
disciplinar de Caxias.
João Ivo Ferreira, autodidacta e brilhante caricaturista,
entretinha-se a desenhar camaradas de prisão, os juízes que o
condenaram, e até um guarda prisional com cara de símio,
ironicamente esboçado com um aprimorado e ondulante rabo de macaco…
E por estarem presos no Continente, a maioria dos madeirenses não
eram visitados pelos seus familiares, que eram pobres, facto o que
os penalizava profundamente. Henrique Pereira também nos contou que,
excepcionalmente, a mãe do Ivo Ferreira, já muito velhinha, deixava
a ilha para ver o seu heróico e nobre filho, encarcerado pelos
fascistas a soldo de Salazar, apenas por ter lutado por mais pão e
justiça para todos os homens…
Depois dos anos cinquenta, devido à prisão de quase todos os seus
quadros e dirigentes, o PCP-Madeira, teve uma actividade bastante
débil, nunca mais tendo sido possível eleger uma verdadeira
«Direcção da Organização Regional», pois os próprios quadros e
militantes que iam saindo das prisões, sempre vigiados pela PIDE,
não tinham condições para militar na Madeira com um mínimo de
segurança e eficácia.
Nessas difíceis circunstâncias, os poucos adeptos e simpatizantes
clandestinos do PCP, militavam em todas as organizações
progressistas unitárias, que iam do Teatro Experimental, ao
Cine-Forum, das conferências do Pátio, às tertúlias da oposição
democrática, do jornal Comércio do Funchal, ao grupo dos Padres do
Pombal.
Quando havia «eleições» o médico Fernando Azeredo Pais e o advogado
Rui Nepomuceno, subscreviam as propostas das candidaturas da
oposição; e o Fernando Pais, além de ter escrito no «Comércio do
Funchal» alguns artigos sobre as dificuldades no sector da saúde;
chegou mesmo a concorrer à cabeça duma lista democrática pela
Ribeira Brava, que obteve tantos votos que obrigou os fascistas a
terem de reconhecer esse bom resultado.
O António Feliciano Canavial, o Rui Nepomuceno, os escultores Anjos
Teixeira, e Francisco Simões, o cirurgião Ricardo Jorge, o fotógrafo
Manuel Nicolau e o jornalista João Rogério Prioste, sempre que
podiam, divulgavam textos marxistas, distribuíam o Avante, e
militavam em todas as iniciativas unitárias da oposição.
Em 22 de Abril de 1969, o Rui Nepomuceno, o Anjos Teixeira e o
Fernando Azeredo Pais, subscreveram a célebre «Carta a Um
Governador» onde claramente reivindicavam a Democracia e a Autonomia
Política para o arquipélago da Madeira.
Logo nos primeiros dias que sucederam a Revolução de 25 de Abril de
1974, o António Feliciano Canavial, o João Rogério Prioste e o Rui
Nepomuceno, ajudaram a organizar no jornal «Comércio do Funchal», a
grandiosa manifestação do 1º de Maio; e pouco depois colaboraram na
constituição do movimento da esquerda «União do Povo da Madeira –
UPM», tendo sido eleitos para a sua direcção.
Mais tarde, quando esse movimento degenerou numa força esquerdista,
radicalista, e de expressão maoista, o Rui Nepomuceno foi o
principal fundador dum outro movimento da esquerda unitária,
denominado «Frente Popular Democrática da Madeira – FPDM», que
aprovou uns Estatutos inspirados nos do MDP/CDE.
A primeira «Direcção da Organização Regional do Arquipélago do PCP
da Madeira (DORAM)», eleita após o 25 de Abril, foi composta pelos
«velhos» comunistas que sofreram muitos anos de prisão João Ivo
Ferreira e Henrique Pereira, e ainda pelo Rui Nepomuceno (advogado),
Melon (jurista), Martinho (alfaiate), Laureano (empregado de
escritório), Figueira (operário de panificação), e Edmundo (operário
da Construção Civil).
Uma das suas primeiras iniciativas foi homenagear os dois gloriosos
camaradas, que deram a própria vida pelo Socialismo, pelas
Liberdades, pelo Pão, e pela Justiça, Antenor Cruz e Agostinho da
Silva Fineza - os heróis supremos dessa longa batalha.
Nesse período os comunistas madeirenses e outros militantes da
esquerda passaram a dirigir importantes lutas, nomeadamente para o
saneamento das direcções dos sindicatos fascistas e a eleição dos
dirigentes dos Sindicatos Livres, tarefas de que ficaram
responsáveis João Ivo Ferreira, Henrique Pereira, Edmundo, e o João
Rogério Prioste.
Para reforçar e executar a luta pela extinção da Colonia ficaram
inicialmente responsáveis Rui Nepomuceno e a Inês da Fonseca, meses
depois ajudados pelo militante João Lizardo, que havia chegado à
Madeira, após ter terminado o curso de Direito em Coimbra.
Para dirigir a luta pela Autonomia Politica, contra o terrorismo
separatista da FLAMA, ficou responsável o dirigente Rui Nepomuceno,
que com grande perigo de vida e após muitas peripécias, conseguiu
contribuir, decisivamente, para que fosse apreendida a gelamonite,
os explosivos e as armas dessa violenta organização, que estavam
escondidas no Santo da Serra.
Os militantes do Partido Comunista Português da Madeira, ainda
colaboraram decididamente, para a criação da «União dos Sindicatos
do Arquipélago da Madeira (USAM)», para a fundação da «União dos
Caseiros da Ilha da Madeira (UCIM)» e do seu jornal «O Caseiro»; e
também para durante algum tempo reeditar «O Comércio do Funchal», e
de seguida o semanário «Farol das Ilhas».
Após a revolução de 25 de Abril, o PCP abriu a sua sede na Rua da
Carreira no Funchal, em fins de Julho de 1974, e aumentou a sua base
de apoio, com extrema dificuldade, pois foi vítima da violência da
FLAMA, das constantes calúnias de toda a direita trauliteira, do
centro-direita, e ainda da maioria do clero, encabeçado pelo bispo
Santana; todos objectivamente servidos por uma extrema-esquerda
radical, que apelidava os militantes comunistas de revisionistas e
até de reformistas.
Apesar de tudo, o PCP concorreu às eleições para a Assembleia
Constituinte, realizadas em 25 de Abril de 1975, com uma lista de
candidatos formada por Arlindo Ferreira, Ana Paula Velosa, José
Manuel de Freitas, Henrique Pereira, Rui Nepomuceno, e por Rogério
Prioste. O resultado foi ter-se classificado em 4º lugar no conjunto
dos seis partidos concorrentes, totalizando 2.086 votos pelo Círculo
da Madeira.
No princípio do século XXI, apesar do feroz anticomunismo do PSD de
Alberto João Jardim, e de certo radicalismo esquerdista da UPM,
seguido da UDP, e agora do Bloco de Esquerda; o certo é que o PCP,
quase triplicou a sua votação, e tem dois deputados eleitos para a
Assembleia Legislativa Regional, e autarcas elegidos em quase todas
as freguesias do Funchal, e até um vereador na Câmara Municipal
dessa cidade.
E, se nas Eleições Regionais de 1976, a coligação APU obteve 1.959
votos (1,8%); em 1988 a CDU já teve 2.562 votos (2,0%); em 2.004
alcançou os 7.593 votos (5,51%); passando a ser a terceira força
mais votada na cidade do Funchal.